No Meio Fio do Tempo

Imagem: Petr Kratochvil via publicdomainpictures

Faixa escura do breu noturno,
onde as luzes ao longe indicam o ligamento:
a vida acontece.

No horizonte não há vida,
há paz de viagem,
ponto eterno entre raios fugazes de tanto ser e acontecer.

No meio,
no fio,
na promessa sequer existe promessa.

O desligamento das brumas internas,
o tempo esvai e... vai.
Adiante algo inicia,
adiante tudo começa.

No ponto inicial ficam as dores, as obrigações
e os chefes, os afazeres, os mais,
sempre os mais dos demais.

Há certa rebeldia em não aderir,
Aquém... além,
à viagem traumática.

Existem vieses
e lances vienenses,
existem entraves
e traves decadentes;
mas ali há paz,
no meio, no nem, no sem,
ali na estrada
enquanto ao longe a vida acontece.

As luzes distantes são pequenas,
existe uma profusão de vida em algum lugar,
onde tudo acontece,
onde tudo caminha ao fim.

O carro também caminha,
mas independente do fim e da chegada,
está preso no momento eterno e astronômico de cada vez mais paz,

do desligamento, da anarquia, do ápice de “não ser obrigado, obrigado!”,
“Ah, o egoísmo”, dizem os outros.

O fio se rompe,
as formas passam pela janela,
sobrando a arte do mundo,
a forma que cria a norma.

É no meio fio,
e no meio tempo
que consegue deslumbrar o tecido do cosmos,
o tecido de tudo,
os detalhes esféricos da nação, e
entramos no xeque vermelho:

Os recursos se formam, se firmam e se findam,
mas ali há um viajante:
O viajante.

Durante a passagem,
que é onde a essência exprime,
e espreme o suco extremo:
Êxtase.

Por trás de tudo: A porta
por trás de toda porta.


Nefasto Curvatório (02/08/2018 - 09:56)
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Ao Monstro Venéreo das Placentas Resgatadas 

Aquele escorpião popularesco
de praia e de sorriso esconde um verme,
esconde a vilania no trajeto,
e a chaga e o egoísmo... e nos devora.

Aquele escorpião no pole dance
recolhe aplausos ao mostrar venenos,
é quase um fim do mundo a cada hora,
e desce rebolando à falsidade.

Notas Sobre o Amor – Por um Careta Liberal

Ah, essa vida amorosa que as pessoas falam que existe e que só sei através dos filmes, e já cheguei aos 35 anos, caramba, estou velho (nem tanto), mas tudo bem, converso com as pessoas, e o que era recente, como “Anos Incríveis”, as duplas sertanejas da suruba “Amigos”, “Sessão da Tarde” nos bons tempos e outras coisas, sem falar dos acontecimentos históricos, parecem que foram apagados, e jovens de Direita Radical surgem por todos os cantos, jovens que ignoram certos tempos e não percebem que muitos dos velhos caducos (perseguidores da liberdade) ainda estão vivos e são mentores dessa galerinha que os endeusam, deixa pra lá, melhor nem pensar nisso, minha vida amorosa ultimamente entra em conflito com aquilo que o sociólogo Bauman analisou, são tempos líquidos, de fluidez nos relacionamentos, onde muitos vestem o manto de “Não queremos nada sério” e aí fica complicado, sei que é careta de minha parte falar pró laços e relacionamentos firmes, falar pela monogamia, e olha que sou um porra loka de coração, desde sempre escrevo pelas liberdades, falo da utopia de uma Terra de Ninguém, onde todo mundo é de todo mundo, mas talvez tenha saído pela culatra, muito difícil encontrar alguém que queira criar um vínculo, o que só se dá através da permanência. Bem, minha vida amorosa está bagunçada, estou aqui em 2017 escutando moda sertaneja dos anos 90, e olha que sou um cara do rock, da porrada, mas se está tudo perdido vou me prender nesse túnel do tempo que não faz sentido algum, possivelmente isso nem encontre as páginas de um livro, será visto num Blog, e-book ou Wattpad, vixi, aí dá pane e tudo se perde, e procuro o arquivo em um pendrive e ele buga (como muitos já bugaram) e não há HD externo que salve tanta memória...

Eu Não Sou Teus Betas

O problema de Pierre Carlô foi estar apaixonado por uma puta escritora, não que fosse puta, mas era foda... Em tempos de mediocridades transcritas, viu-se diante o texto mais inventivo e curioso da nova era, concluindo que Mirela Garceta não era desse planeta. No começo ficou indignado, odiava quando o confundiam com um leitor Beta e o tratavam como se o texto que fizessem fosse a maior dádiva do mundo, então se fechava em sua arte e tentava driblar os trocentos textos lançados ao léu. O problema é que Mirela se achava com passe livre para atochar à força suas dedilhadas palavras, não pedindo licença e mandando o arquivo.

Aquela Exclusividade de Latrina

Madrugada tensa com o dedo na tomada e pés num balde d’água, foi questão de segundos para não sofrer (ou se foder), enfiou o dedo bem na hora que a energia foi cortada. Desalento e riso.
Deixou pra lá, mas não o julguem suicida, estava bêbado e queria sentir um barato, foda-se... Barriga revirando, dobrou o corpo e vomitou dentro do balde onde estavam os pés, depois, cerejinha do bolo, a energia voltou, os dedos ainda plugados sentiram a corrente, corpo eletrificado, cortando a espinha, pêlos, pernas, pés e explodindo na água, jogando o pútrido líquido para todo lado.

Tito e Toti à Beira Cais

Tito definitivamente não nascera para o surreal; depois de uma carreira longa com computadores, acordou numa manhã de abismo e decidiu “Sou artista”. Bangueou umas pinceladas, prateou algumas letras, e quando percebeu estava rodeado de novos colegas artistas, um bando de doidos que ele tentava entender; o pior de todos era Toti, escriba metido à besta que oscilava entre o frenesi da criação e a depressão suicida, nosso protagonista não conseguia acompanhar. Tito era sujeito leve, baralhava algumas páginas e saía satisfeito, e quando não saía, tudo bem, não era o fim do mundo. Mas Toti era praga, bombardeava-o às 4 Horas da madrugada com mensagens de áudio sem sentido, querendo se matar e outras vezes achando que criara a obra máxima da literatura. Tito não compreendia... E Toti piorou quando entrou numa de saracotear por linguagens macarrônicas, vindo de supetão:
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