Capitão Forget Jr. em Mileducas

Capitão Forget Jr. deixou o mar depois de quatro viagens temporais, nunca dantes como outrora fora tanto ao passado, e ajoelhado à Santa dos Paladares Terrenos, tombou na pequena ponte de madeira do porto, por fim, sussurrou seu mantra das lontras distantes.
Claro que todos que ali trabalhavam correram os olhos para espiarem o espetáculo, (todos os Quatro), e de todos os olhos dois perderam a direção e sumiram no mar, metáforas à parte foi literal, mergulho ao fundo do abismo borbulhante; o pescador cegueta só pôde permanecer parado, fingindo admirar o show enquanto a alma mergulhada no abismo das trevas lamentou sua veia bisbilhoteira...

Imagem: Piotr Siedlecki via publicdomainpictures
...Mas voltemos ao magro e sofrido Capitão Forget: Limpou os joelhos e levantou; os Três espiões também voltaram suas atenções ao mar. É necessário dizer que cada passada manca guardou um pouco da viagem anterior, e em seu interior memórias de Forget. Tão velho e tendo desperdiçado as chances de recomeçar.
Lembrou o tempo passado, Forget lembrou: Uma tempestade, tão jovem à meia-hora, as ondas quebrando de encontro aos cascos das tartarugas que rodeavam a nave embarcatória, então, a maior delas se precipitou barc’adentro, Forget segurou firme, quase como se assistisse Titanic, só que sem um amor e sem o glamour, também sem o tamanho portentoso. Quer saber?! Não havia relação com o filme, e aquilo o deixou pior, sentimento de fracasso poético.
De qualquer forma não vem ao caso como Forget foi empurrado, mas onde caiu... Pois é, girou num vórtice maluquete e sem sentido, engolindo uma caralhada de água, até tombar em mileducas com uma dor de cabeça também duca... ramas, ranhos, galhos e baralhos... a narrativa evita a palavra caralho pra não desrespeitar o romance.
Ainda era jovem, entrou no vórtice, talvez 25 anos, tendo seqüestrado a embarcação do pai, alto mar, roupa comprada na loja de fantasias... assim se deu a nomenclatura e patente. Latente a incompetência para domar as ondas, imagine domar a ficção científica! Inútil lutar.
Caiu no colo da moça, avistou a embarcação ao longe, safada e dissimulada, como se nada soubesse do plot twist (Ok... Nem tão original assim, mas é o que temos pra hoje). Forget Jr. admirou-se com os olhos refletidos nos olhos da moça, e ela, Zeus do Olimpo, nunca se sentiu tão acabrunhada diante o verdadeiro amor do outro, foi queda e tiro... Literalmente. Importante e irônico dizer que Josefina Abranches estava de casamento marcado para meia-hora antes do ocorrido, não suportou ter que casar sem amor com o Coronel Marabesta e fugiu na hora de dizer “Sim”, pra fora do altar, noiva em fuga, foi um fuzuê, fugiu ao porto de Portais, refletindo sobre a vida e querendo se lançar ao mar de tanta tristeza, sentou no banco e não teve tempo para pensar em saltar, o portal se abriu e lançou em vórtice Capitão Forget ao seu colo... Irônico porque, furioso e achando-se traído, Coronel Marabesta a perseguiu e viu a cena “Então é por isso que fugiu! Sou um otário!”, ok, era um otário, mas não por isso, limpou as lágrimas e atirou pelas costas da donzela.
Após o zunido, os olhos do Coronel e do falso Capitão se encontraram, e um tiro furaria o viajante temporal... Se o próprio tempo não tivesse percebido que Forget Jr. não era o pai, e devolvido o pobre, depois de mais três desenganos, envelhecendo-o um pouco por castigo, ao lamentável tempo atual.

E sim, Josefina levou o tiro, mas isso são detalhes passados.

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