Balouçando-se Aos Trâmites / Baile dos Medíocres

Balouçando-se aos trâmites de Turturro, eis que as palavras dos séculos vêm, assim, meio lésticas, virando-se contra os olhos dos aprendizes, encantadas, purpurinando professores daqui e Dalí, em respingos oleosos do pincel. Foi ali que Mac Avel trilhou suas tarântulas douradas em tintas ruivas; um traço, dois, três, e mais quatro até supor que a obra finalmente estava terminada, ledo engano, ledo engrado, engradado de tantos litros, Leningrado escrutínio, foi ali, naquele canto da sala, olhem, estão vendo? Está um pouco escuro, mas deixe-me ligar o fusível para que a luz, a sagrada luz de alcaçuz nos sopre seus riscos ariscos. Então arreganhamo-nos os cus e os olhos, arreganhamo-nos antes que los brilhos invadam, e surge ao orifício tal estupro gutural. O quadro finda em viga.
Imagem: Circe Denyer via publicdomainpictures
Alguns olhos se viram ao quadro quando pinto “roubalheira”, quando traço maracutaias, são mil aias em quem nos transformamos, nessa escravidão dos jogos de xadrez que os novos patrões brincam, xadrez de anthrax, Do Céu DesCe Parallax, para baixo, vai descendo, sim o nível não acaba, surpreende pelo entrave. Alguns olhos se viram ao quadro quando pinto “Acordos” em acordes de festas, juninas, ao leste, por trás dos portões lacrados. Tudo precisa vir assim em cores vibrantes, sem o peso cintilante, para que os mesmos olhos vigilantes não percebam a ironia de sua essência ridícula. Há um sentido além do sétimo, e morre antes que os sintamos. Há acordos ao leste, à oeste, Norte, Norte 1 e 2, cada direção se divide em outras, então o quadro se transmuta e se mamuta, de Mamute mesmo, pesado, antigo, só pra confundir os olhos de quem por um momento viu o próprio rosto estampado na acusação... Não... Mamutamo-nos pelo desvio de atenção, de função. São eras breves, perigosas, onde os deuses jogam o xadrez da manipulação, privilegiando acordos, outros desvios, anulações de erros e apagares de passados. (Alerta Vermelho), olhe a pintura, ali, longe, esquecida num canto da sala, deixe-me desligar a luz, talvez o fusível queime antes, tanto faz, o recado foi dado, fim do ato, quebra o quadro, breu no quarto.
Por via de regras o texto morre, também morre a esperança. Agora, pelos cantos, todos estão trocados, a mulher com a perna de fora, antes presa aos papéis e ao trauma antigo, é lançada aos leões, tudo muda; a outra tão calada, também é arrancada; não falamos de zonas de conforto, falamos de decadência, há um ponto nisso tudo em que o grito fica mudo. Tudo volta ao status de antes, das pedras, do uivo, da crítica feita outrora numa sala escura daquela quebrada pintura. O jogo de xadrez continua impulsionando peças, invés de cada um desenvolver bem aquilo que sabe, para benefício de todos, cada um desempenha pessimamente seu talento naquilo que não sabe; perícias desperdiçadas em campos desconhecidos. Para quê aproveitar cada potencial onde pode dar o seu máximo, se podem ser desperdiçados na latrina?! A bailarina não vai dançar, o cantor não encantará, será ele quem foderá os pés enquanto ela esgoelará sua disfunção à platéia, e no fim do dia um olha para o outro e vão embora, (acrescente uma última palavra de impacto que lacre a idéia).
Sinápticas e lésticas, restos de modéstias, réstias ao pesto, rimas podres tântricas, bélicas, que findam em icas, ias e estos. Parágrafo inútil, vazio, dessentido. Como escritor: Não presto.

Por um instante houve magia, a dança soou bela e os passos brilharam castelos... Mas sabemos que no fundo: Um chamado. No poço oriental ocidentalizado. Da mina de cabelo, do brado em grito esgoelado, quando em 2017 eles se digladiam, e os monstros nos ganham no Pop dos medos. Pois é, popularmente falando, sem frescura, com boca aberta ou cabelo cuspido feito vestido, que é tudo teatro, menos o grito e o chamado. O baile segue medíocre, noutro nível, noutro estágio.

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